O "Mudo" de Berlim
Meu Deus. Se eu fiquei reflectiva com a historia da Escócia, imaginem como eu estou agora. A cidade de Berlim me pegou de jeito.
Já tinha vindo para cá na copa de 2006, mas o espírito era outro. Só festa, bandeiras e foliões. Fiz um city tour na época, mas não fiquei impressionada. Claro que é sempre bacana visitar o muro de Berlim, famoso por ser o principal ícone da Guerra Fria – e que dividiu uma cidade em 2 mundos! Mas o meu negocio agora é Museu. Putz sera que estou ficando velha? Bom, mas se esse é o preço que se paga por amadurecer e entender que conhecimento nunca é demais, ao contrario, te faz ver as verdades do mundo; ta bom pra mim! Ou talvez seja a Europa que me fez pensar assim, já que os pontos turísticos estão mais para "construções do velho mundo" do que praias e belezas naturais – que eu prefiro, mas não vou negar que estou gostando muito dessa parte "intelectual" da viagem... Enfim, fui num dia de caminhada qualquer, resolvi parar no Museu Judaico (Jewish Museum) aqui na cidade ex-nazista. Não estava esperando ficar tão impressionada e nem tanto tempo lá dentro como fiquei. Assim que entrei, achei que fosse um museu bem simples – também porque paguei bem barato (se comparar com outros pontos turísticos aqui): €2,50, preço para estudante. Uns 3 corredores largos com paredes brancas apresentavam alguns pertences de judeus na época do holocausto. Achei meio sem graça. Ou melhor, não me interessei muito – porque graça não te como achar mesmo. No fim do ultimo corredor, uma obra que me arrepiou. Uma “piscina” de pedaços de metal em forma de rostos com expressão de desespero. Homenagem aos judeus que perderam suas vidas na II Guerra. Na entrada, a placa explicativa diz que o artista pede aos visitantes que caminhem pela obra. E la fui eu, pisando com meu tênis velho nos rostos desesperados... não foi fácil. E eu sou brasileira. Fico imaginando como se sentem os Alemães quando visitam esse museu. E o museu com certeza não eh voltado apenas para o turista estrangeiro que visita o pais sedento por rastros da historia; a liguagem principal eh o alemão e em algumas partes não ha nem tradução para o inglês ou outras línguas. E a exposição eh bem maior do que eu imaginei na entrada; conta toda a historia do povo judeu e termina na historia dos atuais que vivem no espírito pos-guerra. Chocante mesmo, não da para acreditar que ha apenas 4 geracoes essa loucura nazista aconteceu e tomou proporções que levaram a II Guerra Mundial. Mas eu admiro a dignidade da Alemanha por não querer esquecer o passado; alem desse museu, vários outros pontos turísticos relembram fatos terríveis ocorridos no passado.
E foi por isso que Berlim me “pegou de jeito”: a vida continua, aspire historia e respire a liberdade...
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