Estilo Indiano

Uma coisa que eu sempre gostei de fazer quando estou dentro de um ônibus é observar as pessoas andando nas ruas. O que será que elas estão pensando? Onde estão indo? Como é a vida delas? A diferença é que tinha esses momentos de reflexão no transito em São Paulo, e dessa vez foi fazendo um tour numa van por Mumbai, na Índia!
O cenário que vejo da janela é uma cidade quase caótica, barulho de buzina constante e desesperador, calcadas quebradas e quase não-pavimentadas. Me parece que é um lugar que antes foi cenário de guerra – sem exagero. Uma garota vestida de Sari, a tradicional roupa indiana, esta descalça e com os pés mergulhados ate a canela em um buraco cheio de água barrenta. As pessoas que estão caminhando, porem, tem o olhar tranqüilo, acostumados com o que vêem. Como? Não entendi ate a guia nos explicar sobre o Karma – expressão presente nas religiões Hinduísta e Budista. O Karma que o homem recebe é reflexo dos atos passados do mesmo – mesmo que tenha sido em outra vida. A diferença entre as religiões é que para o Hindu, o ideal é a purificação total para que não seja necessário reencarnar, mas sim passar para outro level espiritual. No Budismo, o ideal é nascer de novo, ate atingir o ponto de nascer “iluminado” com a verdade da vida. Que coisa, né? Na China eu já tinha pensado sobre isso: como no Brasil, esses paises carregam a triste imagem da diferença social, com carros importados contrastando com barracos de ferro. Mas porque a população miserável chinesa ou indiana não se revolta e parte para a violência, como acontece na América Latina? Acho que nosso pais precisa de um pouco mais de religião... Enfim, assuntos “não-discutiveis” a parte, apesar dos pesares eu adorei a Índia. Apesar de Mumbai não ser uma cidade super estruturada e eu ter topado meu dedão do pé diversas vezes em diferentes pedregulhos, alguma coisa me cativou. Acho que, para começar, foi o choque cultural. Perguntei para uma indiana porque algumas mulheres usam todos os dias o Sari, enquanto outras usam jeans e outras roupas ocidentais. Eu estava achando que tinha alguma coisa a ver com “as casadas” x “as solteiras”, mas nada a ver. Ela me explicou que é uma questão de opinião. Muitas dessas mulheres preferem manter a tradição, e não se deixam levar pela invasão da cultura que vem do outro lado do mundo para eles. Essa vontade de carregar a cultura é exatamente o que eu queria ver pelo mundo. Qual é a graça de ir para uma tribo na África e ver que os índios estão tomando refrigerante e vestindo calcas jeans? De ir para a China e ouvir hip-hop americano na balada? Na Índia consegui sentir a energia de um povo que ama sua historia, sua religião, sua musica. Na primeira noite que sai, ri muito. Ainda estava meio chocada com a infra-estrutura da cidade, e não acreditei quando chegamos nessa balada toda fashion, no meio dos bazares-barracos da cidade. Entre musicas dos anos 80, rock e eletrônicos pop, tocou muita musica indiana. Super animadas, todo mundo cantando, pulando e jogando o braço pra cima. Muito astral! Não demorou nem uma musica para a energia me envolver e eu entrar no clima. Essa boate chama Poison, e aquela noite era “Especial Bollywood”. Levanta a mão quem já ouviu falar nessa industria indiana de cinema! Eu nunca, mas parece que algumas produções chegam a ser mais assistidas do que os maiores sucessos hollywoodianos. Os filmes de Bollywood são divertidíssimos, daqueles que não da pra levar muito a serio. Efeitos especiais e muita coreografia de dança. Pode-se dizer que todas as produções são do gênero musical. Não, na verdade o gênero é único, e chama-se “Bollywood”. Assim como o pais: é único, é a Índia.
Comentários
Bem legal seus comentários s a India. Queria estar ai c vc!!!
Ver as mulheres e a religiosidade transpirando em cada pele deve ser demais.
Acredito q um dos meus Karmas positivos nessa vida foi conhecer vc.
Beijos da Dê
abraços...Andrea
Fico feliz que voce esteja me acompahando e gostou do meu texto. Opinioes e criticas sao sempre bem-vindas, ok?
Bjao,